A CIVILIZAÇÃO
Quem Foram os Chimú? O Reino por Trás de Chan Chan
Chan Chan foi a capital de um império costeiro que adorava a lua acima do sol, dominava a ourivesaria e a metalurgia de tumbaga, e caiu perante os Incas por volta de 1470.
Veja os tours de Chan Chan na Viator ↗Um reino construído na costa
O povo Chimú floresceu na costa norte do Peru a partir de cerca de 850 d.C., crescendo a partir do Vale de Moche até se tornar o Reino de Chimor — o maior e mais poderoso estado dos Andes antes de ser finalmente absorvido pelos Incas. No seu auge, acredita-se que Chimor se estendia por quase mil quilómetros de litoral, desde perto da atual fronteira do Peru com o Equador até abaixo de Lima, governado a partir de Chan Chan, a capital propositadamente construída que os Chimú ergueram no Vale de Moche, perto da moderna Trujillo, e que expandiram continuamente durante cerca de seis séculos de crescimento ininterrupto.
A lua sobre o sol
Onde os Incas colocaram o sol, Inti, no centro do seu cosmos, os Chimú veneravam a lua, uma divindade a que chamavam Si — considerada mais poderosa do que o sol precisamente por ser visível tanto de noite como de dia, e por se acreditar que governava as chuvas, as marés e o crescimento das colheitas. Uma divindade marítima separada, Ni, recebia oferendas de farinha de milho e orações por boas pescarias e travessias seguras através das ondas, um par de lua e oceano que os estudiosos associam diretamente a um reino cuja alimentação, comércio e identidade passavam todos pelo Pacífico.
Mestres artesãos do metal
Os ourives chimú estavam entre os mais talentosos das Américas antigas, produzindo vasos de ouro e prata, facas cerimoniais e ornamentos pessoais com recurso ao tumbaga, uma liga de ouro com cobre ou prata tratada quimicamente para que uma camada de ouro puro aflorasse à superfície. Grande parte deste conhecimento técnico tinha raízes em culturas anteriores da costa norte, mas foram os chimú que o organizaram à escala industrial, mantendo oficinas dedicadas de artesãos especializados que produziam ourivesaria para a corte, para os bens funerários e para o comércio com os povos vizinhos ao longo da costa.
Conquista pelos Incas
A independência de Chimor terminou por volta de 1470, quando o governante inca Tupac Inca Yupanqui avançou pela costa e tomou Chan Chan, absorvendo o último grande reino independente que os incas conquistariam antes de voltarem a atenção para outros lados. O rei chimú, Minchançaman, foi levado para Cuzco e, segundo relatos, lá permaneceu pelo resto da vida, um arranjo de refém destinado a garantir a submissão dos seus antigos súbditos. Foi um dos maiores territórios que os incas alguma vez anexaram, alcançado com relativamente pouca da guerra prolongada que marcou outras das suas campanhas.
O que os Incas levaram consigo
Em vez de arrasarem a capital dos seus novos súbditos, os Incas valorizaram aquilo que os Chimú sabiam criar. Metalúrgicos habilidosos — e, segundo a maioria dos relatos, tecelões e outros artesãos especializados — foram relocalizados centenas de quilómetros até Cuzco para trabalhar para a corte inca, e grande parte do que hoje se considera ourivesaria inca clássica carrega, por isso, uma forte marca Chimú. A própria Chan Chan foi em grande parte deixada de pé, já vasta e já com séculos de existência, para se esvaziar lentamente ao longo das décadas seguintes, à medida que o seu papel administrativo no império desaparecia silenciosamente.